Quase metade dos cristãos nos EUA diz confiar na IA para apoiar seu crescimento espiritual

  • 27/07/2026
Quase metade dos cristãos nos EUA diz confiar na IA para apoiar seu crescimento espiritual
Quase metade dos cristãos nos EUA diz confiar na IA para apoiar seu crescimento espiritual (Foto: Reprodução)

Quase metade dos cristãos praticantes nos EUA afirma que confiaria na inteligência artificial para apoiar seu crescimento espiritual, segundo uma pesquisa recente do Barna Group.

O levantamento também mostra que esse grupo utiliza a tecnologia no trabalho e na vida pessoal com frequência superior à média dos americanos.

Os dados são baseados em duas pesquisas realizadas pelo Barna Group: uma com 1.514 adultos nos EUA, em novembro de 2025, e outra com 442 pastores protestantes, em dezembro do mesmo ano.

Apesar da abertura para recorrer à IA em questões espirituais, esse não é o principal motivo pelo qual os cristãos utilizam a tecnologia.

A maioria afirma recorrer às ferramentas de inteligência artificial para aprender, buscar conselhos práticos e aprimorar a escrita – usos muito mais frequentes do que interpretar as Escrituras ou procurar orientação espiritual direta.

Na vida pessoal, 44% dos cristãos praticantes dizem usar inteligência artificial "com muita frequência" ou "frequentemente", índice 13 pontos percentuais acima da média dos adultos americanos (31%). Entre os cristãos não praticantes, esse percentual cai para 29%.

O mesmo cenário se repete no ambiente profissional. Cerca de 39% dos cristãos praticantes afirmam utilizar IA com frequência no trabalho, enquanto entre os adultos americanos em geral esse índice é de 26%.

Pastores e aconselhamento espiritual

A pesquisa também revela uma diferença significativa entre cristãos e seus líderes religiosos.

Embora os cristãos pratiquem um uso intenso da tecnologia, os pastores ainda adotam a IA de forma bem mais limitada.

Apenas 16% dos pastores afirmam utilizar inteligência artificial frequentemente na vida pessoal, e somente 5% dizem fazê-lo muito frequentemente. Cerca de 45% relatam usar a tecnologia pouco ou nunca, enquanto aproximadamente um terço afirma recorrer a ela apenas ocasionalmente.

No contexto profissional, a diferença permanece. Apenas 24% dos pastores dizem utilizar IA com muita frequência, percentual bem inferior aos 39% registrados entre os cristãos praticantes.

Mesmo utilizando menos a tecnologia, os pastores continuam sendo a principal referência para orientar os fiéis sobre seu uso. Entretanto, apenas cerca de 12% afirmam sentir-se preparados para oferecer esse tipo de aconselhamento.

Daniel Copeland, vice-presidente de pesquisa do Barna Group, resume essa diferença:

"Se você perguntar às pessoas, com um simples sim ou não, se elas usam IA, o pastor médio e o americano médio terão respostas muito parecidas. A diferença realmente aparece na frequência de uso."

Outro dado que chamou atenção foi a percepção sobre o aconselhamento oferecido por ferramentas de inteligência artificial.

Uma pesquisa anterior do Barna, divulgada no início deste ano, mostrou que cerca de um terço dos cristãos praticantes nos EUA considera que o aconselhamento espiritual fornecido por ferramentas de IA é tão bom quanto o de um pastor. Esse índice é superior ao observado entre cristãos não praticantes e pessoas sem identificação cristã.

Debate sobre segurança

As conclusões da pesquisa surgem em meio ao aumento das discussões sobre segurança e responsabilidade no desenvolvimento da inteligência artificial.

A Tech Justice Law, organização de interesse público voltada à regulamentação da IA, defende que essas ferramentas sejam desenvolvidas com mecanismos de supervisão, transparência e proteção aos usuários.

Segundo a organização:

"Nosso trabalho se baseia em uma premissa simples, porém importante: se for ilegal, exploratório ou perigoso para um ser humano se envolver em determinada conduta, isso não deve ser considerado imunizado simplesmente porque o dano é mediado por software."

A entidade lembra que, no outono de 2024, entrou com uma ação por homicídio culposo contra a Character.AI, seus cofundadores Noam Shazeer e Daniel DeFreitas, além do Google, em nome de Megan Garcia.

Mais recentemente, a Tech Justice Law também participou de uma ação judicial contra a OpenAI e seu CEO, Sam Altman, representando Scott Winters, ex-pastor da Flórida.

Segundo o processo, Winters quase perdeu a vida após seguir, durante meses, orientações médicas incorretas fornecidas pelo ChatGPT-4o, além de desenvolver uma forte dependência da ferramenta.

A ação também acusa a empresa de utilizar informações relacionadas às crenças religiosas do ex-pastor para aumentar seu engajamento com o sistema. De acordo com a denúncia, os problemas de saúde e a dependência da tecnologia acabaram levando Winters a abandonar o ministério pastoral.

 

FONTE: http://guiame.com.br/gospel/mundo-cristao/quase-metade-dos-cristaos-nos-eua-diz-confiar-na-ia-para-apoiar-seu-crescimento-espiritual.html


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